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Passamos por mais um dia das crianças e é hora de fazermos uma importante reflexão: o seu filho brinca com todos o brinquedos que têm?

Excesso de brinquedos não necessariamente significa brincar mais e com qualidade. Estima-se que as crianças ocidentais tenham mais de 150 brinquedos em casa. Você lembra quantos brinquedos tinha na sua infância? Brincava mais ou menos do que o seu filho?

Cada brinquedo é importante para o exercício da responsabilidade. Saber brincar, guardar, cuidar, explorar e usufruir. O que vemos, atualmente são crianças com baús transbordando de bonecas(os), carrinhos, bolas, ursinhos, jogos, coleções inteiras esquecidas, pois ao saírem da loja, às vezes,  perdem o encanto e vão para um universo escondido.

A relação com os brinquedos é importante até na hora em que eles quebram, pois se são imediatamente repudiados e eliminados, ensinamos que tudo é descartável. Isso vale para material escolar, roupas, etc. Dar valor aos pertences é importante para o amadurecimento da criança. Quando ela conserta o brinquedo, ou pelo menos tenta, está praticando a criatividade e a responsabilidade.

Enquanto nas décadas passadas os meninos e meninas fabricavam os próprios brinquedos, atualmente há um contraste. Os itens são tão tecnológicos que praticamente brincam sozinhos e a criança olha, admira e, muitas vezes, pouco interage. Portanto, vamos pensar na qualidade do que estamos oferecendo as nossas crianças. É claro que elas são constantemente bombardeadas por um marketing inteligente e permanentemente atuante, e normalmente elas elegem os brinquedos da moda, muitas vezes, caros e elas nem sabem porque almejam. Precisamos conversar, explicar e mostrar o que é bom e realmente tem uma função.

O excesso da tecnologia também deve ser pensado e trabalhado dentro de casa, pois endossa o imediatismo, há um comando prontamente atendido. A socialização nos jogos coletivos não pode ser esquecida, o brincar em família, atividades que estimulem a coordenação motora. Tudo isso é fundamental!

Vamos ter um real cuidado para não incentivar a educação de “pequenos acumuladores”. As crianças quando vão brincar e veem todo este excesso, perdem o foco. Se, por acaso, o seu filho está com os armários e baús lotados, incentive-o a organizar, doar e ele precisa participar deste processo. Motive a criança a explorar o que tem e criar novas formas de brincar e vivenciar o seu acervo lúdico.

Presentear os filhos é muito bom, mas isso deve ser feito com muita cautela porque a construção do brincar está intrinsecamente ligada a construção do pensar!

Texto escrito por Tatiana Sessa – Orientadora Educacional